terça-feira, 9 de abril de 2013

Onde foi parar o sonho do SUS?

Ana Costa, Ligia Bahia e Mario Scheffer: Onde foi parar o sonho do SUS?
publicado em 9 de abril de 2013 às 16:55

Nossa saúde é um pesadelo, não um sonho...


Depois de tantas promessas frustradas de redenção da rede assistencial pública, a tendência de governantes – que buscam responder às demandas por saúde dentro do limite de seus mandatos – tem sido delegar cada vez mais atribuições estatais à iniciativa privada. Essa inclinação privatizante não reverteu e nem sequer amenizou o quadro de dificuldades da população em acessar e utilizar os serviços de saúde.
por Ana Maria Costa, Ligia Bahia e Mario Scheffer, no Le Monde Diplomatique Brasil, via Plataforma Política Social

No documentário Sicko, de Michael Moore, ao ser abordado sobre o fim hipotético do sistema universal de saúde inglês, o NHS, um dos entrevistados foi incisivo: “haveria uma revolução”. Orgulho nacional britânico, homenageado na cerimônia de abertura da Olimpíada de Londres, o NHS sempre inspirou o Sistema Único de Saúde (SUS).

Mas, afinal, onde foi parar o sonho do SUS de uma cobertura pública universal que não deixaria, por definição, nenhuma pessoa sem atenção à saude?  Ao mesmo tempo em que os cidadãos deveriam financiar o sistema por meio de impostos, de acordo com a capacidade contributiva, poderiam acessá-lo conforme  a necessidade de saúde, não em função da possibilidade de pagar ou da inserção no mercado formal de trabalho. No sonho de tantos, inscrito na Constituição Brasileira, o SUS seria a expressão de solidariedade que une todos os brasileiros, ricos e pobres, sadios e doentes, moradores dos centros e dos grotões, em resposta coletiva ao essencial do ser humano, a saúde.

No Brasil, aonde as políticas sociais universais não chegaram a se consolidar, o SUS sucumbe às pressões dos que apostam na privatização, vindas tanto de setores situados à direita quanto à esquerda do espectro político-partidário.

A privatização da saúde sempre foi escamoteada no país, o que contribuiu para a demora de uma definição clara sobre o lugar que a coletividade deve confiar ao setor privado.

Durante a redemocratização, no processo constituinte, a plataforma conservadora dos grupos empresariais privados foi confrontada com a agenda reformista do movimento sanitário. Prevaleceu a concepção da relevância pública da saúde, mas o rótulo do “privado complementar” passou a abrigar segmentos empresariais de distintas naturezas e competências.

Um quarto de século depois permanece a confusão em torno da falsa unanimidade em defesa do SUS, reconstruída na ressaca após derrota da regulamentação da Emenda Constitucional 29 e na atual campanha pelos 10% de recursos da União para a saúde. A bandeira por mais recursos públicos tremula também sob a ótica contábil de grupos privados e interesses corporativos, que historicamente  nunca se colocaram ao lado da proteção social ampliada.

Depois de tantas promessas frustradas de redenção da rede assistencial pública, a tendência de governantes – que buscam responder às demandas por saúde dentro do limite de seus mandatos – tem sido delegar cada vez mais atribuições estatais à iniciativa privada. Essa inclinação privatizante não reverteu e nem sequer amenizou o quadro de dificuldades da população em acessar e utilizar os serviços de saúde.

Veja-se o exemplo da cidade de São Paulo: mesmo entregue em grande parte à iniciativa privada, a rede municipal de saúde exibia, ao final de 2012, fila de mais de 660 mil pedidos de consultas, exames e cirurgias. Acrescente-se o fato de que 60% dos paulistanos sofrem nas mãos de planos de saúde excludentes e de uma rede privada em colapso, saturada e incapaz de prestar bom atendimento.

Chegamos numa forqueadura. Nem se consegue vislumbrar o SUS como um sistema único de qualidade, nem há perspectiva de seguirmos para um modelo de saúde predominantemente privado, feito o americano, chileno ou colombiano.

O impasse consiste na inversão entre necessidades de saúde e uso do fundo público. O Brasil tem um sistema público universal, mas são privados, em sua maior parte, os recursos alocados na saúde. Há uma desconexão entre os valores igualitários formais e as práticas sociais concretas de apropriação dos recursos assistenciais, um cenário totalmente incompatível com a efetivação de políticas de saúde universais. Enquanto nos países europeus e até mesmo nos Estados Unidos, a parcela pública dos gastos com saúde só aumenta, no Brasil assiste-se o crescimento das despesas privadas na medida da intensificação de incentivos à privatização.

Em 2013, aos 25 anos da Constituição de 1988, há muito a ser comemorado. Os preceitos legais do SUS não soçobraram durante o tsunami neoliberal, devido a permanente resistência dos movimentos sociais contrários às mudanças do texto constitucional. Porém, fez água a expectativa de ultrapassagem do neoliberalismo por reformas estruturantes na saúde, a começar pela negação dos tão ansiados novos recursos federais que viriam com a regulamentação da EC 29.

Até hoje, permanecem enigmáticos os argumentos que teriam convencido a base do governo no Congresso Nacional a não ampliar o financiamento do SUS. É certo que, naquela época, as denúncias de corrupção e a malfadada tentativa de atrelar a prorrogação da CPMF à saúde criaram um clima desfavorável ao aumento de gastos públicos. No entanto, nada disso justificaria o covarde posicionamento de partidos progressistas.

O desfecho desfavorável à legislação, após arrastada tramitação, por 12 anos, deixou entidades do movimento social de orelha em pé. Por isso, nem foi grande surpresa a divulgação pela imprensa de uma reunião entre a Presidente Dilma Rousseff, ministros e empresas de planos de saúde, em março de 2013, para tratar da concessão de mais subsídios e desonerações fiscais destinados à expansão do mercado de assistência médica suplementar.

A novidade foi a rápida e uníssona reação em defesa do SUS de dezenas de entidades como CEBES, Abrasco, CUT, CONTAG, conselhos profissionais e Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.  Possivelmente, o posicionamento contrário até mesmo de setores sociais que supostamente representam futuros candidatos à obtenção de planos privados de saúde para trabalhadores e segmentos sociais que ascenderam na pirâmide de renda, espantou o fundamentalismo.

Planos privados florescem no momento em que as despesas públicas com a saúde são minguadas, no lastro da evolução do consumo e renda de estratos mais pobres da população, mas não resistirão a tensões macro-econômicas enão irão se alinhar a um sistema de saúde comprometido com a promoção da saúde, com a atenção primária, com os atuais desafios demográficos e epidemiológicos (nossos novos velhos e doentes), com a incorporação e o uso racional de tecnologias.

A cobertura privada suplementar jamais será uniforme e continuada, pois há diferenças abissais entre os produtos vendidos,  a pessoa sai do emprego que garantia o plano,  há exclusão pecuniária (idosos e doentes são expulsos porque gastam muito com saúde), há rescisão de contratos que não interessam mais às operadoras e a agência reguladora, capturada pelo mercado que deveria controlar, faz vistas grossas ao crescimento dos planos de baixo preço ( com rede restrita de prestadores)  e planos ‘falsos coletivos’ (contratados por pessoa jurídica, a partir de duas vidas, que escapam da regulamentação e ofertam serviços ruins).

Jogar fermento com dinheiro público no desordenado mercado de planos de saúde pode render votos e cai bem com o discurso de que o SUS para todos é inviável  e com a avaliação negativa  de parte da sociedade,  divorciada do sistema público. A lógica é antiga: em nome da limitada capacidade do Estado, propõe-se a transferir obrigações para o cidadão e o empregador que podem pagar pelo plano privado, empobrecendo a oferta e desidratando ainda mais o financiamento público do SUS.

As experiências negativas acumuladas com o atendimento dos planos de saúde desfazem ilusões de que o mercado, só o mercado, é capaz de resolver necessidades sociais. A proximidade e a desenvoltura de empresas com a cúpula do governo podem significar interferências permanentes na agenda pública da saúde.

Os passaportes dos empresários aos centros decisórios foram adquiridos em ambientes frequentados por médicos particulares dos mandatários da República e em fóruns corporativos do setor privado, mediante apoios políticos objetivos, inclusive com generosos financiamentos para campanhas eleitorais. Tais prerrogativas indicam que não se afugentou, definitivamente, a intenção de privatizar de vez o sistema de saúde brasileiro.

O que estará em jogo daqui em diante será o choque entre um projeto societário baseado na efetivação de direitos de cidadania e uma proposta de extensão da cobertura de planos de saúde. A “solução” privatizante empinou, revestida de forte teor pragmático e apelo eleitoral, adequada, portanto, à duração e continuidade dos mandatos governamentais. Sua concretude e aparente facilidade de implantação contrapõem-se a um SUS tido como inerte, cada vez menos vigoroso.

Trata-se de uma falsa representação, segundo a qual o mercado é portador do progresso e das inovações tecnológicas e o sistema público não passa de um apanágio do atraso. Ao longo do tempo essa inclinação ideológica produziu uma ideia síntese: o sistema universal de saúde é impossível e seus defensores, uns românticos desatualizados. Com os requerimentos do moderno individualismo, se não incomodarem, esses sonhadores devem ser tratados com condescendência, por serviços prestados no passado.

O grande desafio será questionar esse constructo, baseado nas certezas das preferências pela privatização, em um contexto de subfinanciamento do SUS.   O sonho de o Brasil garantir a igualdade de acesso em saúde para todos que precisam, em qualquer lugar, a qualquer hora, só irá adiante se os fundos públicos ganharem aportes significativos, passando a financiar apenas serviços, equipamentos e redes, públicos e privados, porém absolutamete includentes e deliberadamente universais.

Resgatar o SUS como um bem comum a ser protegido requer mobilização e novos arranjos políticos capazes de confrontar a marcha triunfal do privado. A hora é de escolhas essenciais para o futuro da saúde no Brasil. Não desistiremos de seguir lutando por um sistema de saúde moderno e justo, controlado pelos usuários, trabalhadores e agentes públicos, que traga desenvolvimento ao país e que tome um lugar de destaque na vida nacional.

CMPD

Em plenária do CMPD, representantes da sociedade e especialistas discutem sobre a inclusão na Educação

Na plenária mensal organizada pelo Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, especialistas e representantes da sociedade debateram sobre a inclusão de alunos com deficiência na escola.


Marianne Pinotti (centro), Silvana Drago 
(esquerda) e Sandra Reis (direita)

“Numa sociedade inclusiva , que reconhece, respeita e responde às necessidades de todos os cidadãos, não cabe mais falarmos em educação para pessoas com deficiência. É um direito de todos, não só de terem acesso à escola, mas também a uma educação de qualidade”. A frase foi dita pela superintendente da Sorri Brasil, Carmen Bueno, na plenária do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPD), realizada no sábado (06/04), e resume bem o tom das discussões que se seguiram durante todo o encontro na Câmara dos Vereadores de São Paulo.

Cerca de 200 pessoas participaram da plenária mensal do CMPD, que trouxe para a roda de discussões o tema da Educação Inclusiva. Além da representante da Sorri Brasil, palestraram a diretora de orientação educacional da Secretaria Municipal de Educação (SME), Silvana Drago, juntamente com uma equipe de profissionais que atuam no atendimento aos alunos; e a coordenadora do programa de pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Profª Dra. Maria Cristina Trigueiro Veloz Teixeira. A secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marianne Pinotti, acompanhou toda a programação ao lado da presidente do CMPD, Sandra Reis. “Esse diálogo com a sociedade é fundamental para que avancemos ainda mais em ações que melhorem a permanência na escola e o desenvolvimento de alunos com deficiência”, destacou Marianne Pinotti.

Silvana Drago apresentou, em sua palestra, o programa Incluir, da SME, explicando o funcionamento dos 13 Centros de Formação e Acompanhamento à Inclusão (CEFAI), que desenvolvem ações de formação, produção de materiais e projetos para as 390 Salas de Apoio e Acompanhamento à Inclusão (SAAI) em funcionamento na rede municipal. Núcleos multidisciplinares, formados por profissionais de psicologia, fonoaudiologia e assistência social, acompanham os alunos e os familiares juntamente com os CEFAI’s.

A Profª Dra. Maria Cristina Trigueiro Veloz Teixeira abordou o trabalho específico para a inclusão de alunos com transtornos do espectro do autismo. “Temos hoje instrumentos para diagnosticar precocemente o autismo. E isso é fundamental, pois quanto mais cedo esse diagnóstico for feito, melhor será o desenvolvimento da criança. É importante também que os professores sejam capacitados sobre os comportamentos de um aluno com autismo para que deem a atenção necessária. Nesses casos, é preciso dar instruções claras, simples e diretas para cada tarefa e usar comunicação alternativa, como de símbolos, que facilitam a compreensão para o aluno com autismo”, explicou.

Ao final do ciclo de palestras, foi aberto espaço para perguntas. Mães de alunos com deficiência e munícipes interessados no assunto tiveram a oportunidade de preencherem formulários com demandas e problemas ainda encontrados na rede municipal e encaminharem diretamente para a Secretaria de Educação, que se comprometeu em responder todas as solicitações.

Fontes: Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida

ACESSIBILIDADE

Acessibilidade é o tema central do Congresso Nacional de Hotéis 2013 (Conotel)


A 55ª edição do Congresso Nacional de Hotéis (Conotel), maior evento da hotelaria brasileira, aconteceu no Transamérica Expo Center, em São Paulo, com o tema “Desafios e perspectivas regionais da indústria de hospitalidade”.
O congresso é uma realização da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Resorts Brasil e Grupo Fiera Milano, que traz pela primeira vez ao país a feira Food Hospitality World – 1a Feira Profissional de Alimentação e Hospitalidade, simultaneamente ao Conotel.
O ministro do Turismo, Gastão Vieira, era esperado para a abertura, mas não compareceu. Ele foi representado por Vinícius Lummertz, secretário Nacional de Políticas do Turismo do Ministério do Turismo. Também participarem da cerimônia de abertura, o presidente da ABIH Nacional, Enrico Fermi Torquato; Alexandre Sampaio; Dílson Jatahy Fonseca Jr., presidente da Resorts Brasil; o prefeito de Campinas, Jonas Donizeti Ferreira; Marcelo Pedroso, diretor de Mercados Internacionais da Embratur; Orlando de Souza, diretor de Marketing da TUR-SP; Bruno Omori, presidente da ABIH-SP; Ana Clévia Guerreiro. representando o presidente de Sebrae Luiz Barretto; o presidente da SPTuris, Marcelo Rehder, que representou o prefeito de São Paulo Fernando Hadad; o deputado federal, Otávio Leite; e a deputada estadual Célia Leão.
O economista Delfim Netto e o consultor Stephen Kanitz são alguns dos palestrantes confirmados.

Acessibilidade


Mais de 40 milhões de brasileiros declaram ter algum tipo de deficiência, segundo Censo Demográfico 2010. Ao incluir neste contingente pessoas com mobilidade reduzida, nas quais enquadram-se também idosos e gestantes, por exemplo, o total sobe para 50 milhões. “É um nicho de mercado que enxerga o turismo e a hotelaria como opções de lazer e inclusão social. Há hotéis que investiram em acessibilidade e viram a taxa média de ocupação aumentar para 90% ao ano”, explica Edison Passafaro, coordenador de Mobilidade e Inclusão da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional).
Segundo Passafaro, o empresário da hotelaria precisa entender a acessibilidade como um investimento e não como despesa. “É uma fatia representativa da população que acaba não consumindo mais por falta de condições básicas de infraestrutura nos hotéis. Inteligente será aquele que enxergar as adaptações físicas como oportunidade.”

Fonte: Brasilturis

segunda-feira, 8 de abril de 2013

LIBERDADE É O QUERO...

Pré-conceito, ou preconceito, dá tudo no mesmo...


Hoje quero falar sobre pré-conceitos, vemos noticiários em TV, internet que fala de inclusão social, se já existe essa inclusão, se tudo está informatizado, porque ainda sofremos preconceitos?
Porque será que ainda somos excluídos de algumas coisas, porque as pessoas nas ruas ainda nos olha com ar de piedade ou com jeito de quem diz, “essa pessoa deveria estar na sua casa ao invés de estar atrapalhando aqui”.
Sei que sou ansiosa, que quero mudar o mundo e isso é impossível, mas as vezes esse preconceito parte de nossos próprios familiares, um amigo que tem problemas auditivos esteve aqui em casa me visitando e no meio de nossa conversa ele foi desabafando que tem perdido muito serviço devido não ter a ajuda necessária para fazer contato com seus clientes.
Ele só precisa que alguém agende seus serviços, e a pessoa com quem ele vive simplesmente se recusa a ajuda-lo, nem o computador da casa ele pode usar para publicar seus trabalhos porque ela não deixa, e olha que ela é formada em Psicologia, mais que raios de Psicóloga é essa que trata as pessoas dessa forma?
Perguntei a ele porque se sujeita a isso, ele não soube responder, mas eu sei, ele vivia com a mãe, era ela que o ajudava, era com ela que ele morava.
Tem 2 semanas que ele perdeu a mãe e simplesmente se perdeu, e foi morar com essa mulher, agora não tem coragem de encarar a vida sozinho.
Sei bem o que é isso, ele está sem o aparelho que facilita a comunicação com as pessoas, o aparelho custa 2.000,00 reais e ele não está empregado, porque as coisas que são necessárias são tão caras, o sus dá esses aparelhos, mas só a espera pra se conseguir é uma eternidade, fora que os produtos dados nos transformam em verdadeiros ETS. Meu amigo disse que uma vez ganhou, mas que parecia fones de DJS. Temos que aceitar só porque é o estado que nos dá? Temos que andar feitos palhaços para dizer que estamos gratos por ter recebido essa “caridade” do governo? E os impostos que eu pago não me fazem ter direitos a esses produtos?
Confesso que ando desacreditada nesse nosso país, vejo noticias de alguns países que até ajudam financeiramente os deficientes do seu país. Sugiro que assistam ao filme
A sinopse só dá um pouco do que ocorreu na trama, interessante é ver o filme, recomendo...
“Os Melhores dias da minha Vida”. Esse filme retrata uma História real de duas pessoas com deficiência que só queriam ter o direito de viverem livres, segue a Sinopse do filme: Rory (James McAvoy) é um jovem rebelde, bem humorado, que fala o que pensa, não liga para as convenções sociais, nem para nada, nem para ninguém. Seu oposto é Michael (Steven Robertson), que sempre levou uma vida completamente sem graça e enfadonha. O que estas duas pessoas tão diferentes poderiam ter em comum? A resposta é ao mesmo tempo simples e cruel: Rory é tetraplégico e Michael tem paralisia cerebral. Descontentes com as regras da vida , estes dois amigos inusitados planejam deixar a instituição onde estão internados com a ajuda de Siobhan (Romola Garai) para que eles finalmente atinjam seus objetivos: viver a vida em toda a sua intensidade. Mas quais as surpresas que o mundo fora dos portões da instituição irão revelar aos dois rapazes?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

No México, policiais surdos trabalham onde ver vale mais que ouvir

Minhas considerações sobre o testo abaixo, se o governo Brasileiro fizesse o mesmo, com certeza a violência nas ruas  melhorariam e muito nossas vidas, e também muitas pessoas com deficiências estariam empregados (as), falo por experiencia, pois temos um Posto de Saúde em frente de casa onde funcionários atendem muito mal a população e ficamos a merce de atendimentos precários, eu por exemplo faria facilmente e com melhor eficácia o que as atendentes fazem no posto.


Agentes surdos se comunicam na linguagem de sinais através de um tradutor em um centro policial em Oaxaca, México.



Quando um policial observou um homem agindo de maneira suspeita, caminhando de modo errático e com um olhar estranho, ele imediatamente chamou reforços. Isto é, ele girou sua cadeira no centro de comando da polícia em Oaxaca, no México, e rapidamente sinalizou para o colega em linguagem de sinais.
O policial Gerardo, de 32 anos, faz parte de um quadro de 20 policiais surdos que se formou há alguns meses para ajudar a vigiar essa cidade turística. O homem suspeito que ele avistou na câmera de segurança acabou sendo o principal suspeito de um caso de assassinato. “Mesmo não podendo ouvir, podemos desempenhar qualquer papel”, disse através de um intérprete.
Mais de 200 câmeras vigiam a cidade, uma das várias no México que instalou sistemas de segurança nos últimos anos para combater a criminalidade de rua. Ao levantar algumas preocupações em relação à privacidade, o sistema é apoiado por policiais por providenciarem uma ferramenta extra para reduzir o tempo de resposta aos crimes.
Oficiais admitiram que enviar unidades rapidamente para a cena do crime é apenas uma parte do desafio. As vítimas de crimes, muitas vezes decidem não apresentar queixas por falta de confiança na Justiça.
Visitantes dessa cidade colonial, famosa por sua arte e comida, parecem ser tranquilizados pelas câmeras, assim como pela presença de sinais alertando que a área está sob vigilância.
Apesar de Oaxaca não ser conhecida por um alto índice de criminalidade, os turistas podem ser alvos de batedores de carteira e os bairros da classe trabalhadora têm seu índice de tráfico de drogas, roubo de carros, brigas e crimes violentos.
Esse ano, o Estado renovou seu centro de comando da polícia, mas achou necessário o monitoramento das 230 câmeras – uma tarefa demorada, monótona. Havia outro problema: devido ao fato das imagens não possuírem som, os policiais não conseguiam determinar o que as pessoas estavam dizendo.
“Nós não conseguíamos ler os lábios, então tivemos a ideia de contratar pessoas surdas já que muitas delas conseguem”, disse Ignácio Villa-Lobos, o subsecretário de segurança pública de Oaxaca.
Ele disse que, por possuírem uma atenção visual mais aguçada, os oficiais surdos são capazes de enxergar problemas em andamento nas telas mais rapidamente do que outros policiais que são frequentemente distraídos pelo zumbido de telefones, rádios e conversas no centro de comando.
Villa-Lobos disse que os policiais surdos – “nossos anjos silenciosos“, de acordo com ele – tinham ajudado a resolver ou auxiliado vários casos, mas se recusou a fornecer dados específicos, na expectativa de uma futura avaliação do programa. Ele disse que o caso de homicídio do ano passado foi uma das maiores conquistas do novo departamento.
Os policiais receberam treinamento, mas não fizeram o juramento e nem portam armas. Seu trabalho é limitado ao centro de comando, mas supervisores não permitiram que seus sobrenomes fossem publicados, devido ao seu envolvimento no relato dos crimes.
Câmeras de segurança monitoradas por agentes surdos fazem a segurança de Oaxaca, México.
Poucos deles possuíam um emprego remunerado antes de se tornarem combatentes do crime. No México, há uma alta taxa de desemprego entre deficientes auditivos e eles muitas vezes têm que contar com o apoio da família e dos amigos.
Mas o setor privado e algumas fundações estão trabalhando para reverter esse quadro. Entre os programas mais visíveis está o do aeroporto internacional da Cidade do México, onde usuários de cadeiras de rodas foram empregados para verificar a identificação de passageiros em filas de segurança e responder a perguntas dos visitantes.
Em uma manhã recente, a monotonia que muitas vezes caracteriza o trabalho da polícia ficou evidente conforme policiais surdos fixavam seus olhares em telas que mostravam nada mais que a rotina da cidade. “Parece que há uma briga ali”, disse um policial, fazendo com que outros expedidores pegassem seus rádios para enviar unidades. Mas outros agentes rapidamente determinaram que fosse apenas um grupo de crianças brincando.
Outro policial avistou um casal que parecia estar abrindo cervejas em seu carro estacionado ao longo de uma rua. Uma patrulha foi enviada, mas o casal foi autorizado a ir embora com um aviso depois de despejar o conteúdo das garrafas.
No início, os veteranos riam das reações embasbacadas dos novatos diante de acidentes de carro e roubos de bolsa rotineiros, mas com o tempo, os novatos estão desenvolvendo uma carcaça mais dura. “Nós os desumanizamos um pouco, e eles nos humanizaram“, disse Villa-Lobos.
Os policiais, principalmente os recrutados por organizações de serviços sociais, disseram que depois de enfrentar dificuldade em encontrar emprego, trabalhar para a lei era algo gratificante.
Uma das novas policiais, Eunice, 26, disse que tinha sido rejeitada por escritórios e lojas com poucos gerentes dispostos a lhe darem uma oportunidade ou posições que estivessem de acordo com sua surdez.
Mas ela encontrou o seu nicho como policial. Em uma noite recente, a imagem de alguém sendo atropelado por um carro apareceu na tela, algo que inicialmente a chocou. Mas ela rapidamente se recompôs e alertou o expedidor. Com um sorriso orgulhoso, ela disse: “Nós somos os olhos desta unidade”.

Fonte: IG

VALETAS NAS RUAS?

                                                                              Pra que?


Às vezes me pergunto pra que serve essas valetas nas ruas, sei que é para escoar as águas, mas elas atrapalham tanto a vida de um cadeirante, nunca consigo atravessar uma sem ajuda, isso porque minha cadeira é motorizada, imaginem as cadeiras manuais para quem não tem muita mobilidade. 
Eu já atolei varias vezes quando tento passar sozinha, fora os desníveis de calçadas, ruas, sei que ninguém pode mudar o mundo, mas podemos melhorar.
Se todos nós nos uníssemos talvez tivéssemos forças para atravessar todos os obstáculos impostos a nós.
Não quero privilégios só para mim, quero para uma população, quantos deficientes tem medo de sair às ruas por conta de carros, motos, bicicletas, buracos  que  nos impedem de nos sentirmos seguros (as).
A uns 6 meses atrás uma amiga minha morreu vitima de um atropelamento quando saiu de casa com sua cadeira motorizada, bem na época que ganhei a minha, tive tanto medo, mas como tenho uma família que sempre me apoiaram, me incentivarão a não ter medo, e agora são eles que tem medo quando eu saio às ruas. 
Claro que tomo cuidado, mas será que os motoristas tomam cuidado? Será que os buracos, valetas e desníveis das ruas me permitem trafegar as ruas?
Quando será que poderemos sair às ruas sem medo de nada, e ter a certeza que voltaremos pra casa sãs e salvas (os)?
Mas ainda acredito em um país sério e humanitário...

quarta-feira, 3 de abril de 2013

ONU premia software brasileiro que traduz mundo digital para surdos.

NOVO SOFTWERE VAI FACILITAR AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA A FALAR NO CELULAR

 

Avatar do aplicativo traduz texto, áudio e imagens para a linguagem de sinais.
Programa Mãos que Falam, idealizado por três alagoanos, traduz sons, textos e até fotos para a Linguagem Brasileira de Sinais. Público alvo são pessoas com deficiência auditiva que não entendem bem português ou são analfabetos.
São comuns os aplicativos na internet que fazem tradução entre diferentes idiomas. A novidade é uma ferramenta digital que transforma textos, imagens e arquivos de áudio em uma língua especial: sinais para surdos. O programa foi desenvolvido por três alagoanos e acaba de receber um importante prêmio internacional. O Mãos que Falam venceu o World Summit Award Mobile (WSA-Mobile), uma competição bienal promovida pelas Nações Unidas e parceiros. Representantes de 100 países participaram da disputa que escolheu 40 finalistas em oito categorias. Hugo, o Avatar do aplicativo que usa as mãos para conversar com os usuários, levou para casa o prêmio da categoria Inclusão.
O personagem funciona como interface para traduzir conteúdos digitais na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). “Esta é a primeira língua que os surdos aprendem, só depois vem o português”, explica o Diretor Executivo do projeto, Ronaldo Tenório, um dos três idealizadores do Mãos que Falam.
Segundo ele, ainda existe um percentual elevado de surdos que não entende bem português e que, por diferentes motivos, abandonou a escola sem uma alfabetização completa. O programa pretende facilitar a compreensão.
O software reconhece as palavras de uma mensagem de texto, por exemplo, e o personagem Hugo interpreta o significado em Libras. O caminho inverso – a possibilidade de responder em libras que seriam convertidas em texto – faz parte dos planos para uma segunda etapa do projeto. Os cuidados agora estão em aperfeiçoar os códigos que funcionam como cérebro do Avatar: quanto mais for usado, mais precisas se tornam as traduções.
Hugo também ajuda na interpretação de imagens que tenham texto, como a capa de um jornal. O usuário fotografa a página e a imagem é varrida pelo programa em busca de caracteres. Um sistema de reconhecimento lê o conteúdo, que  traduzido em gestos. Tenório diz que a mesma ferramenta poderia ajudar na leitura de placas de informação.
“Queremos fazer com que o surdo entenda conteúdos e tenha acesso ao conhecimento”, afirma.
Acesso gratuito
Além disso, Tenório trabalha ao lado de Carlos Wanderlan, Tadeu Luz – idealizadores do programa – e uma equipe de mais 20 pessoas para deixar tudo pronto para o lançamento oficial dos aplicativos para celular. A previsão é que o software possa ser baixado em smartphones com diferentes sistemas operacionais no segundo semestre deste ano. Por hora, a empresa comercializa licenças da versão web do programa, que pode ser instalada em qualquer site para torná-lo acessível a quem depende dos sinais.
Tenório explica que essas licenças são comercializadas, mas o usuário final não paga pelo serviço. “Entendemos que o surdo não precisa pagar para ter acesso a informação, e os aplicativos para celulares também serão gratuitos”, antecipa. A premiação internacional – que se seguiu a outras conquistas locais – alavancou a empresa, e hoje o que era apenas uma ideia se transformou na fonte de renda dos jovens empreendedores.
O destaque internacional deve render também novas parcerias. Por hora, Hugo não entende outras línguas, mas pode aprendê-las no futuro. A sutileza no conjunto de gestos usados em cada país dificulta o trabalho, mas a empresa conta com consultores especiais: cinco surdos participam da equipe de desenvolvimento, e associações de deficientes auditivos de todo o país contribuem nos ajustes do personagem. Existem diferenças nos sinais de uma região para outra, e a equipe de desenvolvedores quer deixar o programa capaz de funcionar bem em todo o país. “Podemos dizer que até mesmo na Libras existe um sotaque”.

Fonte: DW